quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fenômeno Evangélico!!


No Brasil, a tradição da fé católica perdurou e, até o século XIX, era a única reconhecida oficialmente. Naquela época, quem não era católico não podia trabalhar para o Estado. Entretanto, os outros cultos eram permitidos, desde que não fossem praticados dentro de edificações cujas arquiteturas lembrassem uma igreja.
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Biblia Online Atualmente, com o crescimento dos evangélicos no país, surgem templos para as mais diferentes tribos urbanas, que vão dos adeptos do heavy metal aos lutadores de jiu jitsu e surfistas. São igrejas voltadas para públicos que se diferenciam pelo visual, como tatuagens e o uso de piercings. Uma aparência que, muitas vezes, incomoda o conservadorismo presente no catolicismo e nas tradicionais denominações evangélicas.
De acordo com a antropóloga e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Léa Freitas Perez, o surgimento dessas novas igrejas é uma expressão religiosa de um fenômeno cultural contemporâneo. É o chamado pluralismo da religião. “A religião, como qualquer outro elemento da cultura, precisa se adaptar ao tempo. Isso é importante para o fortalecimento da crença. As igrejas tradicionais perdem fiéis porque não se adaptam às mudanças do tempo”, explica
O fato de compartilharem da mesma fé e gostarem de rock’n roll, usarem roupas pretas e terem cabelos grandes foi um dos motivos que levou um grupo de jovens a criarem sua própria igreja: a Caverna de Adulão, que, desde 1992, funciona em Belo Horizonte. “A caverna surgiu da necessidade de se compartilhar a mensagem do evangelho com uma geração de jovens que era rejeitada nas igrejas oficiais por questões culturais”, explica o pastor Geraldo Luiz da Silva.
É entre os evangélicos que surgem as propostas de igrejas flexíveis. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma prancha de surfe virou púlpito para uma igreja descolada: a Bola de Neve, criada inicialmente para os surfistas. Em Fortaleza, há cerca de um ano, a Igreja Evangélica Congregacional desenvolve um projeto com alunos de jiu jitsu. No local, os jovens “Lutadores de Cristo” oram, sobem no tatame para lutar e assistem à pregação do pastor.
“Essa foi a maneira que encontramos para alcançar os jovens que nunca entraram em uma igreja. Aqui pregamos a paz, e uma das nossas regras de conduta é não se envolver em brigas nas ruas”, diz o coordenador do projeto, lutador e seminarista Elder Pinto.
A diversidade de igrejas mostra que a religiosidade é nômade. “As igrejas que mais têm sucesso são aquelas receptivas, festivas, que não exigem uma exclusividade dos fiéis”, diz a antropóloga Léa Perez.



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Do surf à Pregação





Bola de Neve Church tem o esporte na raíz e jovens como estrutura

Pense rápido: onde é que o púlpito é uma prancha de surf? Os fiéis, em sua grande maioria, são adolescentes e jovens, o louvor a Deus é embalado pela melodia do reggae e da surf music e, mais, a palavra de Deus é pregada por meio de um português simples, (bastante coloquial até), a fim de atingir a juventude ali presente? Não sabe? A resposta é na Bola de Neve Church. Nascida entre os anos de 1999 e 2000, pelas mão do pastor Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, a igreja ganhou este caráter ligado ao surf pelo apoio de um empresário do setor que concedeu o primeiro espaço para que fossem realizados os cultos de uma galeria restrita que já se reunia para louvar a Deus. No site da Bola de Neve Church o Pr. Rinaldo explica por que a prancha virou púlpito. "Uma empresa de surf também vende pranchas, e uma delas, um longboard, piscou para mim e virou púlpito, desde da primeira reunião, um acaso que ajudou a compor a identidade da Igreja." Hoje, a Bola de Neve é considerada um fenômeno no que diz respeito ao número
de jovens que concentra, especialmente pelo estilo que possui. Às quintas e domingos à noite, uma galera entre 15 e 29 anos de idade lota o salão da igreja, localizada na rua Turiassú no bairro da Lapa, em São Paulo, para louvar a Jesus e ouvir a palavra de Deus. Apesar da concepção da igreja ser toda baseada no surf e nos esportes radicais - como a própria fachada da igreja faz questão de enfatizar - não são só os "atletas de cristo" que freqüentam os cultos. O sucesso da Bola de Neve com a juventude é tanto que também atinge jovens sem qualquer envolvimento com práticas esportivas.
E como é que é essa Bola de Neve? Ao chegar na igreja você é recebido por jovens que trabalham ali e o convidam a assistir ao encontro e louvar a Deus. Mas isso não é uma missão fácil. É tanta gente junta (em média, mil e quinhentos jovens) que fica difícil encontrar um cantinho para conseguir acompanhar a celebração. O som alto que reverbera pelos dois andares do prédio (ambos, lotados de jovens) faz a galera entrar logo no clima e quando você menos espera, o louvor começa. Por alguns momentos, você até esquece que está numa igreja, agora, mais parecida com um show de rock. A grande diferença é que é um "show do bem", ou seja, sem droga, sem bebida, e mais: com harmonia entre quem está ali presente.
Conseguir conversar com alguém é quase impossível. Durante o louvor, todos cantam, pulam e agitam os braços ouvindo a música e acompanhando a letra que passa no telão. Para falar com um único evangélico da Bola de Neve você precisa convencê-lo a perder alguns minutos com um entrevista, e quem disse que é fácil? (Enfim...conseguimos) No meio de tanta agitação, Grace Barros Tocantins, de 29 anos, recém-formada em Fisioterapia, cedeu alguns de seus minutos para contar sua história com a religião, (e que história!)
Grace já foi seguidora de inúmeras religiões. Freqüentou a umbanda por influência dos pais, passou pelo catolicismo e fez catequese, mas saiu, virou wicca na adolescência e também deixou de ter fé, até cair na Bola de Neve. "Comecei a namorar um rapaz que me trouxe para cá. No início, estranhei bastante porque não seguia nenhuma religião mas, mesmo assim, me senti tocada", lembra. O namoro acabou e, aos poucos, Grace foi abandonando a igreja. Esteve em apuros no mundo das drogas, até decidir voltar. "Era um momento em que precisava muito de Deus. Já tinha procurado de tudo, mas nada me completava. Quando eu voltei pro Bola, encontrei Jesus e aí tudo mudou", diz.

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